7 jogos que mudaram a minha vida

Ora, boas, pessoal. Aqui vem mais um post quentinho e saído do forno (perdoem a metáfora, estou a comer pão com fiambre e queijo enquanto escrevo. Sou facilmente influenciado)

Os videojogos, para mim, são algo que não encaixa dentro da obsessão ou da compulsão, penso que é algo que se enquadra mais dentro do fascínio. Eu fui apresentado aos videojogos quando ainda mal sabia andar, falar ou formar memórias duradouras. Nos meus tempos de pequenês – contam-me -, um dia, os meus pais deixaram-me em casa de um casal amigo da família e que lá fiquei uma tarde no cuidado deles. Foi então que para me deixarem jogar o mítico e lendário Mario Bros. para a então moderna NES (Nintendo Entertainment System). Desde então que me deixei ser sugado e fascinado pelo vasto mundo dos videojogos.

Há uns dias, um dos canais de Youtube a quem estou subscrito (Games As Literature, um canal relativamente pequeno dedicado à desconstrução e exploração temática e narrativa de jogos ou à análise de aspectos temáticos presentes em jogos) carregou um vídeo sobre os 5 jogos que mudaram a vida dele.

Achei o vídeo muito interessante, visto que difere tanto das minhas escolhas por razões que são pessoas somente ao criador do vídeo. Por isso, gostaria de partilhar com qualquer interessado 7 jogos que mudaram a minha vida. Porquê 7? Bem, 5 parece-me muito pouco e 8 é esticar a corda a meu ver.

E aqui estão eles (sem nenhuma ordem específica, com a excepção do primeiro e últimos jogos)

Sonic 2

A minha introdução à Megadrive não foi muito comum. Sim, cheguei a jogar uns poucos jogos na altura em que era a consola mais moderna, mas só porque um primo meu tinha a consola. E sempre que o visitava divertíamos-nos a jogar um o jogo do filme dos Power Rangers. Good memories. No entanto, só muitos anos depois é que pude apreciar a Megadrive e a sua biblioteca de jogos devidamente. Foi então que, em pleno reinar e ciclo de vida da PS2 que o meu primo trás a Megadrive dele para a casa da nossa avó (onde íamos almoçar todos os dias depois da escola). Isso, em adição em termos uma Cash Converters com jogos para a MegaDrive perto da casa da nossa avó, foi razão para muitas boas memórias e inúmeras horas de puro prazer. Mas o jogo que não só nos aproximou mais como me fez apreciar os jogos ainda mais foi Sonic 2.

Primeiro de tudo, nós, como primos, embirrávamos muito um com o outro, mas lembro-me com claridade que com o Sonic 2, nós começámos a cooperar e a ter menos lutas birrentas entre nós. Foi algo que espantou imenso a nossa avó, coitada – tanto que nos aturou. (So sorry, babushka)  Já para não falar que, embora, na altura, eu também tivesse uma PS2, achava que os jogos da Megadrive eram mais cativante e conseguiam ser mais envolventes que alguns dos jogos da PS2 que estava a jogar, mesmo com as limitações de visuais, de hardware, ou o facto de ser uma consola de há quase 2 gerações. E isso fez-me apreciar o então presente dos videojogos, a evolução que tinham tomado e as possibilidades do que o futura poderia trazer. Lembro-me de sentir incrivelmente esperançoso e com grande expectativas para a próxima geração de consolas e jogos.

Persona 4

Verdade seja dita, a vossa primeira exposição a Persona vai muito provavelmente ser a vossa favorita. Conheço muita gente que favorece Persona 3 ao 4 e concedo que o 3 é superior ao 4 em certos aspectos, mas continuo com a opinião de que Persona 4 é fundamentalmente um jogo melhor. Meia parte dungeon crawler RPG meia parte Sim’s esta foi uma mesclagem de géneros que não esperava gostar tanto num videojogo. Persona é um franchise Spin-off de Shing Megami Tensei, o qual ironicamente veio roubar popularidade e a luz da ribalta ao franchise mãe, e, antes de se tornar a cash cow da Atlus, Persona 4 foi a entrada mais bem sucedida e popular.

Além da temática da procura pela verdade, da distorção da realidade e da aceitação de quem somos (tudo de bom e mau), entre personagens que parecem vivas devido a consistência de personificação que lhes embutiram, e  uma vez que fazemos papel de detective à procura de um assassino numa aldeia pacata do Japão, este é dos RPG’s mais sólidos e interessantes que já joguei. Mas, o quê em concreto é que afectou tanto para mudar a minha vida?

Simplesmente, este jogo ensinou-me a não desviar os olhos da verdade, a aceitar a realidade e a aceitar a minha (bi)sexualidade. Conhecedores sabem bem de que cena húmida estou  a falar 😉 *Kanji is a precious cinnamon roll <3*  Persona 4 pode parecer bastante simples no que toca ao seu visual, mas em certos aspectos é surpreendentemente vanguardista (ou pelo menos foi, na altura em que foi lançado). Põe em causa papeis de género, a certa altura apresenta uma situação que pode ser interpretada como uma das personagens a sofrer de dismorfia sexual por achar que tem o tipo de corpo ou género errado. Shit gets heavy, yo! Apresentou-me muito material para reflectir para um jovem impressionável de 19 anos.

 Klonoa

Já estou a prever a reacção. “Quê? Mas isto parece ser fofo p’ra caraças! Como é que um jogo sobre um gato com orelhas de coelho e uma bola de luz com mãos te afectou assim tanto a vida?” E a minha resposta é: that gutwrenching, soul crushing ending!

A resposta curta é a FMV final do jogo. Foi o primeiro jogo que me conseguiu fazer chorar. E até hoje a própria FMV não me deixa de fazer chorar. Foi algo que não estava nada à espera, desencadeou um momento em que algo em mim conseguiu relacionar-se com a perda e dor apresentadas. Já para não falar, que completei o jogo numa altura sensível da minha vida. O meu avô tinha morrido à relativamente pouco tempo, e como um miúdo de 11/12 anos não sabia como reagir ou lidar com a morte de um ente querido na altura, e *SPOILER* ver o Klonoa e o Huepow a terem de ser forçosamente separados depois de tudo por que passaram na sua grande aventura *SPOILER* acho que foi simplesmente demais para mim, porque senti que a situação disposta na FMV era idêntica à minha. Enfim, foi o primeiro jogo que me conseguiu abrir a um nível emocional e que deixou mais receptivo para com os meus sentimentos.

Nier/ O Mundo de Yoko Taro

Acima de todos os outros grandes directores e criadores de jogos, acho que Yoko Taro é estupidamente subvalorizado numa indústria que tende a estagnar e a reciclar as mesmas ideias ad nauseam. Yoko Taro é, sem sombra de dúvida, dos directores cujo trabalho tanto me fascinou como traumatizou. Ele gosta de brincar com as nossas expectativas, de virá-las do avesso na altura menos inesperada, de subverter estereótipos típicos de certos géneros de jogos ou tipos de histórias. Aliás, o historial do homem fala por si, Drakengard, Drakengard 3 e Nier são nada se não prova disso. Aliás, Nier só por si é um exercício sobre a futilidade da violência e como o ser humano está condenado a ser o agente que causará a sua própria destruição. Embora os seus jogos não tenham sido mega sucessos comerciais, existe um grande following que celebra e aprecia os jogos deste homem que se atreveu a fazer-nos questionar a moralidade, o uso da violência e a essência da humanidade.

Eu fui apresentado ao trabalho deste senhor já um pouco tarde. Tinha assistido a um Let’s Play de Nier, da autoria do SuperBlueBadger, que me deixou boquiaberto, e  foi assim que soube que tinha jogar o jogo de qualquer maneira! Desde então que sou fã fervoroso do homem, mas especialmente de Nier. Já alguma vez tiveram uma epifania? Alguma vez sentiram que se abriu uma janela na vossa mente para um novo plano de existência e /ou conhecimento? Pois, é assim que me senti ao assistir/ jogar Nier. Abriu-me os olhos ao tipo de barreiras que os jogos podem quebrar, moldar ou revolucionar. É uma obra brilhante que ainda não foi igualada, isto é, até Nier Automata ser lançado em 2017, ou pelo menos assim o espero.

Final Fantasy X/ Kingdom Hearts

Sim, sei que estou tecnicamente a fazer batota, mas como ambos os jogos me influenciaram de maneira igual, não seria justo pôr um acima do outro. So there!

Amo Final Fantasy. Sou um enorme fã de tudo Final Fantasy, simplesmente porque em todos estes anos que ando a entreter-me com jogos virtuais, de entre o oceano de jogos que investi tanto de mim e depositei tantas horas, Final Fantasy é o franchise que ainda persiste no meu coração. Foi praticamente o único franchise que me acompanhou a vida inteira até ao presente.

Imaginem, eis que entramos na sexta geração de consolas, a PS2 sai, é tudo lindo e espectacular. Passado uns meses sai FF X. Finalmente um FF para a nova geração, um novo mundo, personagens memoráveis, uma história sem igual, com música orquestrada, com gráficos de última geração completamente em 3D e com diálogo dobrado! A minha jovem mente rebentou e amou FF X inteiramente a partir do momento que soube da sua concepção. FF 7 foi o primeiro FF que joguei, FF 8 foi o primeiro que me deixei perder e que acabei, mas FF X foi e continua a ser o meu jogo favorito deste franchise. (Unless Final Fantasy XV has something to say about it, in which case I’m all ears.  plsbegoodplsbegoodplsbegoodplsbegoodplsbegoodplsbegoodplsbegood)

E não é que logo depois saiu o Kingdom Hearts? Um action RPG com personagens da Disney e com personagens da Square, dos “mês riques” FF?. Inicialmente, estava muito céptico quanto ao sucesso deste jogo, mas rapidamente mudei de ideias mal pus o raio do CD na consola para o jogar. O jogo agarrou-me a partir do momento que a FMV inicial começou. E um jogo inteiro depois, voltei vez atrás de vez para mais, para me desafiar mais, para desvendar mais, para compreender mais, para completar mais, para me deixar ser absorvido por estes mundos.

Estes foram os dois casos de jogos que me levaram à quase-obsessão. Mas mais que isso, estes dois jogos moldaram a minha impressionável mente de pré-adolescente. Muitos jogos iriam e viriam, mas poucos replicariam o impacto que estes dois tiveram em mim. Estes são mesmo casos em que posso dizer que sem estes jogos, não seria quem sou hoje.

Katawa Shoujo

OK, now for something completely different. Aqui vem uma visual novel.

Sim, eu sei. Eu tendo a evitar visual novels como a peste negra por razões óbvias, mas houve algo de muito único e singular nesta que me despertou a curiosidade desde que ouvi falar dela. Criada por utilizadores do 4chan depois de um criador de doujinshi sugerir a ideia na capa de um dos seus doujin? Well, colour me intrigued.

E tenho  de dizer, isto há de ser das poucas coisas boas que saíram do 4chan! Para aqueles que desconhecem, Katawa Shoujo é uma visual novel sobre um rapaz que sofre de arritmia, o que o leva a frequentar uma escola especial para pessoas com debilitações físicas e mentais. Nisto, podemos seguir 5 caminhos, 4 dos quais resultam em relações amorosas com 4 raparigas com debilitações distintas (desde cegueira, a queimaduras e Síndrome de Aspergers), e um outro caminho que leva à nossa morte embriagada às mãos de um sósia anti-feminista do Harry Potter. No joke, this shit actually happens. Como seria de esperar da visual novel, esta tem conteúdo adulto, as in, le sex scenes, por vezes uma só route tem várias sex scenes, dependendo da moça que decidirem encantar com os vossos magníficos dotes de protagonista, mas uma vez que estas cenas podem ser desligadas (há uma opção para a novel não passar estas cenas) e visto que cada route demora cerca de 5h a completar e ler, isto tranquilizou-me um pouco e deu a impressão de que isto não seria apenas um VN sobre “banging crippled girls because we can“.

Antes de mais, tenho a dizer que a escrita é muito boa, em certos cenários chega até a ser soberba. O problema é que diferentes cenários foram escritos por diferentes pessoas, e, infelizmente, isso é aberrantemente aparente na leitura. Em parte alguma da VN, mesmo nas mais hon hon, as personagens femininas são vistas ou tratadas como um objectivo. Todas as personagens são extremamente humanas, com a sua própria personalidade e defeitos de carácter. O estilo de escrita pode ser ambivalente dependendo da route, mas, no geral, é muito envolvente e até mesmo comovente, porque cada história pede-nos para crescermos não só como personagens, lado a lado à “companheira”, mas principalmente como pessoas, mediante o contexto que cada história nos coloca.

Agora as explicações. Este jogo afectou-me porque, na altura em que o joguei, tinha saído de uma relação com alguém que amava muito, mas que depois de meio ano juntos ela já não sentia por mim o que sentira quando começámos a namorar, ou pelo menos foi isso que ela disse. O que para mim soou mais a uma nova vertente do tão habitual “It’s not you, it’s me“, mas estou a divagar. Passado quase um ano, ainda não me sentia recuperado do brusco e bruto rompimento da relação.*Calma, moço. Guarda isso para o psicólogo* Tinha começado a jogar Katawa Shoujo por curiosidade, e nisto encontro uma personagem que me lembrava a minha, agora, ex-namorada, a Emi. Nisto, li/ vi/ joguei/ wtv a route dela (cheguei a ver os três finais possíveis) e fiquei em lágrimas e com muita coisa para digerir e ajudar-me a arrumar as ideias na cabeça. Foi graças a este jogo que decidi que não podia ter evitado o que tinha acontecido entre nós mas que não queria que ela (nem ninguém quem cheguei a estimar) desaparecesse da minha vida. E, embora o meu esforço não tenha tido o resultado que pretendi, não me arrependo do que aconteceu entre nós, nem das pessoas que tentei salvaguardar na minha vida mas que foram desaparecendo. Sei que ao menos tentei e que os demónios pessoais levam-nos a fazer coisas que não queremos ou gostamos de fazer.

 The Legend of Dragoon

Aqui vai: The Legend of Dragoon é o meu jogo favorito de sempre. Porquê? Simples. Deu-me força quando não tinha forças para continuar, deu-me esperança quando parecia que estava acorrentado às pedras escuras de um poço sem fundo, em momentos de dúvida deu-me certeza e foi a primeira experiência mais completa que um jogo me dera na altura.

Eu sou da forte opinião que, expostos à idade certa, haveremos de ter um RPG predilecto, aquele RPG que vamos amar para o resto da vida, ao qual vamos recorrer para nos dar força e motivação em momentos de fraqueza e incerteza. Para alguns esse RPG é Skies of Arcadia, para outros pode ser Persona, ou Kingdom Hearts ou algum dos outros milhares que RPGs que existem. Para mim The Legend of Dragoon é esse RPG. Não basta dizer que nos meus tempos de pré pré-adolescência, e a jogar apenas aos fim de semana, demorei mais de um ano a completar o jogo, que foi um jogo intrigante que me cativou por completo por mais de 100 horas. FF e KH podem ter-me influenciado, podem ter moldado partes da minha mente mas TLoD  é fundamentalmente quem eu sou. Desde os 11 anos que andei à caça de uma cópia física do jogo, e só recentemente é que o consegui comprar! E considero isto um objectivo de vida! E se isto não representa bem o peso e valor emocional que este jogo tem em mim, não faço a mínima ideia do que o fará.

Mas então e vocês? Que jogos mudaram a vossa vida?

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2 thoughts on “7 jogos que mudaram a minha vida

  1. Ai também tenho de fazer :v Joguei alguns destes, e concordo com o que dizes de Persona 4, muito embora o 3 continue a ser o meu preferido porque acho a história bastante mais interessante e sombria. 😛 No entanto, o P4 é definitivamente superior em termos de mecânica e jogabilidade!

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    1. Eu só consegui jogar P3 como deve ser quando saiu o Portable =P Mas ainda assim P4 continua a ser o meu favorito ^^” Ainda que me dizem coisas muito boas dos dois P2, e quero jogá-los para comprovar. *^*

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