Vamos conversar sobre Final Fantasy XV

Esta é uma história de um rapaz, que ama, com todo o seu coração, um incrível franchise de J-RPGs, chamado Final Fantasy… Ok, pessoal, agora a sério.

Final Fantasy, como já fiz menção num post anterior, é o franchise que me viu crescer, que entrou na minha vida assim meio sem aviso, e por cá ficou e me acompanhou e me viu crescer. Não é de espantar por que tenho tanto carinho e qui sabs um pouco de imparcialidade no que toca a certos títulos. No entanto, não venho hoje falar de títulos passados que me são tão estimados, venho, ao invés, falar do futuro. Da próxima entrada deste franchise: Final Fantasy XV.

E agora devem estar a interrogar-se: “De que vais falar, meu? Como este jogo promete ser do caraças? Como o combate é fluído e os gráficos parecem saídos da vida real? Porra, man, diz lá!” Lamento desapontar, mas venho hoje fazer uma listagem de preocupações não só para este jogo, mas para possíveis futuros títulos do franchise.

Bem, antes de passar à cena propriamente dita, acho que devo primeiro dizer o que acho que o jogo tem de bom (ou pelo menos do que já vi). Gráficos, Top, só Witcher 3 rivaliza com gráficos e paisagens de cortar a respiração como este jogo possui; Combate, extremamente fluído e à la Kingdom Hearts com física mais realista e membros de equipa que não morrem a cada 10 segundos (lookin’ at you, Donald!); Banda sonora, Yoko Shimomura ainda não desapontou em nenhum dos seus trabalhos portanto está em mãos mais que seguras, e o tema principal mete-me arrepios( ❤ ); Visual, pá, ya, os gajos parecem uma mistura entre OCs de Kingdom Hearts e  My Chemical Romance, mas o mundo em si tem um visual e feel muito moderno e sinceramente gosto do call back à junção de tecnologia e magia reminiscentes de FF VII; e pronto é tudo.

Sim, desculpem mas (por agora) é só isto que vejo de bom no jogo. Deixem-me explicar-me em maior detalhe. Primeiro de tudo, as personagens. São fraquinhas. Pelo menos no que toca aos heróis, tanto quanto sei os vilões acabarão por roubar o espectáculo, como é normal em muitos destes jogos. Mas uma vez que vou passar horas a controlar  o nosso bando alegre de jovens aventureiros vingadores acho que o mínimo que posso pedir é alguma razão legível para me afeiçoar a eles, sei lá, momentos de evolução de carácter, uma conversa visceral sobre aceitar o papel de rei e preservar o legado dos antepassados? Mas, do que nos mostraram, parece que vai haver pouco disso. E isso preocupa-me, visto que se quisesse jogar um RPG sobre uma cesta de pães sem sal metia-me a jogar Dungeons & Dragons, fazia os pães a minha equipa e dava-lhes uma personalidade. Já para não falar que introduziram grande parte dessa caracterização fulcral das personagens no anime de Final Fantasy XV: Brotherhood. Que estavam eles a fumar para deixar de parte episódios inteiros de material de caracterização e possível evolução de personagens num outro médio gostava eu de saber.

Por falar nisso, how ’bout that Kingsglaive? Kingsglaive é um filme passado alguns dias ANTES do início do jogo de FF XV, em que somos dados a conhecer a queda do Império de Insomnia e a morte do rei Regis, pai do nosso galante e emo personagem principal. No que toca a material expansivo, Kingsglaive não é particularmente importante ou essencial de ver. Percebo porque não o incluíram no jogo, mas até que é interessante de ver. Bem, interessante no sentido que tudo é muito bonito e a Squeenix no que toca a vídeos em CGI são mesmo MUITO bons. A substância do filme não é realmente importante para se entender os eventos que ocorrem no jogo, preenche algumas lacunas, mostra alguns detalhes, sim, mas, essencialmente, o filme é só uma cutscene gigante e bonita de olhar, com alguns easter eggs e referências a outros jogos do franchise. Além disso, deveriam de ter cortado 45 minutos do filme, a cena chega a ser enfadonha lá para o meio.

E isto tudo leva-me a uma pergunta: Porquê? Kingsglaive é giro de ver, mas o seu conteúdo é mais fluff e pandering que outra coisa, portanto, porquê gastar tanto tempo e dinheiro em produzi-lo? Porquê fazer um anime em que partes importantíssimas do carácter, ethos e pathos  das personagens vão ser exclusivas somente no anime? Porquê criar uma cultura de hype por detrás de um jogo que estamos à espera há 10 anos, uma vez que o jogo iria ser hyped para caralho e as pessoas teriam expectativas impossivelmente altas de realizar de qualquer maneira? Porquê uma campanha publicitária onde se metem a espalhar chavões e hashtags inúteis como quem pretende manter o jogo a boiar no consciente das pessoas, insuflando ainda mais o hype?

Porquê fazer tentativas apaziguadoras de acalmar os fãs ao usar nomes que associamos ao apogeu do franchise (Nobuo Uematsu, Hironobu Sakaguchi e Yoshitaka Amano) para garantirem que “a cena é budes fixe, é forte e é boa”, como se eles estivessem a dar a sua bênção para a existência do jogo? (e já agora, se é assim, onde estavam eles quando lançaram o FF XIII?)

Todas estas medidas tomadas pela Squeenix tresandam a um certo je-ne-sais-quoi. Ah, tresandam de falta de confiança no produto final. E se há falta de confiança em algo que estão há tanto tempo a criar furor, das duas uma: ou estão mesmo a contar com o sucesso do jogo ou a merda não é boa. Ou, pelo menos, não tão boa como gostaríamos que fosse. A mim isto tudo evoca a imagem de um adulto a distrair o bebé ao agitar as chaves. E como se isto tudo já não bastasse, parece que recentemente alguém fez leak da história do jogo na internet. E parece que o que receava sempre se concretizou – embora ainda não tenha lido nem vá ler o leak porque não quero estragar a cena para mim, pode ser? ktksbye. Ao que parece o enredo e a conclusão do jogo são decepcionantes, ao ponto de já haver comparações a MGS V: The Phantom Pain. A sério, já há gente a dizer que FF XV vai ser o Phantom Pain dos J-RPGs.

Por alguma razão eu falei tanto em Kingdom Hearts no início. O jogo parece uma espécie de Kingdom Hearts diluído, sem charme e magia, mas com grandes doses de roupa da Hot Topic e eyeliner. Ao que parece, quando FF XV ainda era conhecido como Versus XIII e fazia parte da Fabula Nova Crystallis o director/ produtor/ wtv do jogo ainda era Tetsuya Nomura, sabem o gajo com o fetiche por cabelo pontiagudo de ouriço e fechos eclair, mas depois mudou para o Hajime Tabata, sabem o gajo que nos pôs todos com feels e o catano em Crisis Core. E, realmente, não me espanta que a cena tenha tropeçado nos próprios pés e o resultado é o que muitos já viram e dizem ser uma caca. Mas por mais severos e fervosos que muitos sejam, e por muito que este texto todo pareça mais uma lista de críticas – embora os pontos aqui feitos possam ser interpretados e/ou considerados como críticas válida a reter – eu não me encontro nesse campo fervoso. Isto, porque eu QUERO que o jogo seja bom, eu QUERO que este seja o novo melhor FF de sempre, eu QUERO que este seja o amanhecer de um novo apogeu para Final Fantasy, mas infelizmente manter-me optimista e esperançoso com a Squeenix ao leme é o mesmo que esperar algo de bom de uma pessoa abusiva; sim, pode ser que nos surpreendam de vez em quando, mas, no resto das vezes, a merda é sempre a mesma. Eu sou capaz de perdoar um enredo/ história medíocres se pelo menos as personagens forem envolventes e cativantes, e se o gameplay for acima de bom. E, por agora, só posso preencher a caixa a um destes dois pontos. Vou esperar pelas reviews e análises, para o Natal logo vejo se vou baptizar a PS4 com The Witcher 3 ou FF XV.

 

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